domingo, 23 de julho de 2017

PROJETO DE LEI QUER ACABAR COM O DINHEIRO DE PAPEL


Por *Paulo Higa

Boa parte das transações que fazemos no dia a dia já não envolve mais dinheiro em espécie, mas um projeto de lei quer ir além: ele “extingue a produção, circulação e uso do dinheiro em espécie, e determina que as transações financeiras se realizem apenas através do sistema digital”.

O projeto de lei 48/2015, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), determina que a utilização de dinheiro em espécie para transações financeiras seja proibida, permitindo a posse de cédulas apenas “para fins de registro histórico”. Além disso, o texto proíbe que os bancos cobrem uma taxa para transações por meio de débito.

Na justificativa, o deputado defende que “a tecnologia proporciona todas as condições para que pagamentos, inclusive de pequenos valores, possam ser feitas sem a necessidade de se portar dinheiro em espécie” e que alguns países já caminham para extinguir as cédulas, como Noruega e Suécia, onde apenas 4% das transações seriam feitas com dinheiro em papel.

Segundo o deputado, uma vez que “toda transação financeira poderá ser rastreada”, a sonegação fiscal e os gastos com emissão ou transporte de moeda deixariam de existir. Além disso, sem cédulas em circulação, “eliminaríamos práticas de crimes como assaltos a bancos, arrombamentos de caixas eletrônicos, assaltos a postos de gasolina, sequestros, saidinhas de banco e violência em geral”.

O texto foi apresentado em fevereiro de 2015, mas voltou ao noticiário porque a Comissão de Defesa do Consumidor promove nesta terça-feira (11) uma audiência pública para discutir a proposta. O ministro da Fazenda, Henrique Meireles; o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn; o ministro da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim; e outras pessoas ligadas ao sistema financeiro foram convidadas.

Será que isso está muito longe de virar realidade?

*Paulo Higa é estudante de Jornalismo e mora em São Paulo.


Fonte: Tecnoblog

sábado, 22 de julho de 2017

LEÃO MATA HOMEM QUE DESOBEDECEU ÀS ORDENS DE DEUS

Foto: Reprodução/O Globo 

Um filho que desobedece aos pais pode sofrer sanções como, por exemplo, a proibição de sair de casa para brincar com os amiguinhos ou de ter acesso ao tão querido videogame. Contudo, essas consequências, embora desagradáveis, são suportáveis e duram um curto período de tempo. De qualquer forma, desobedecer não é uma boa opção, principalmente quando a punição é severa.

Quem gosta de pagar multa? Por mais que um motorista seja negligente e/ou imprudente, ele sempre se irrita quando é multado. Isso porque a punição machuca. Aliás, não apenas machuca, mas pode até resultar em morte, a exemplo do que ocorreu com os brasileiros Rodrigo Gularte e Marco Archer, executados em 2015 na Indonésia por tráfico de drogas.

Desobedecer aos pais, aos professores, às normas e leis de uma empresa, município, estado ou nação, acarretará em sanções proporcionais à gravidade dos fatos. E o que dizer da desobediência às ordens e mandamentos de Deus? O apóstolo Paulo, em sua epístola aos Gálatas, nos dá uma ideia: "Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará." (Gl 6.7) — quem desobedece sofrerá, de uma forma ou de outra, as consequências da desobediência.

Lembremos que foi a desobediência de Adão que fez com que a  morte entrasse no mundo. Deus, após criar o homem, o pôs no jardim do Éden e ordenou, dizendo: "De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gn 2.7-16,17). A morte aqui, além de física é, também, espiritual, pois "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." (Rm 3.23). Sim, todos pecaram, tendo em vista que a humanidade estava em Adão e por ele estava representada. Como isso se explica? Bem, isso é assunto para uma outra postagem. No momento, vamos saber que negócio é esse de um leão ter matado um homem que desobedeceu às ordens de Deus.

A Bíblia nos conta a história de um profeta que desobedeceu às ordens de Deus após ter dado ouvidos para a conversa de um "profeta velho". Era um homem de Deus, que recebeu uma ordem direta do SENHOR (1 Reis 13.1), mas que deu crédito à mentira, pagando com a própria vida pelo erro cometido. Vejamos conforme está registrado na Sagrada Escritura em 1 Reis 13.1-30:

1E eis que, por ordem do SENHOR, um homem de Deus veio de Judá a Betel; e Jereboão estava junto ao altar, para queimar incenso. 2E clamou contra o altar com a palavra do SENHOR e disse: Altar, altar! Assim diz o SENHOR: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que queimam  sobre ti incenso, e os ossos de homens se queimarão sobre ti. 3E deu, naquele mesmo dia, um sinal, dizendo: Este é o sinal de que o SENHOR falou: Eis que o altar se fenderá, e a cinza que nele está se derramará.

4Sucedeu, pois, que, ouvindo o rei a palavra do homem de Deus que clamara contra o altar de Betel, Jereboão estendeu a mão de sobre o altar, dizendo: Pegai nele. Mas a mão que estendera contra ele se secou, e não a podia tornar a trazer a si. 5E o altar se fendeu, e a cinza se derramou do altar, segundo o sinal que o homem de Deus apontara pela palavra do SENHOR. 6Então, respondeu o rei  e disse ao homem de Deus: Ora à face do SENHOR, teu Deus, e roga por mim, para que a minha mão se me restitua. Então, o homem de Deus orou à face do SENHOR, e a mão do rei se restituiu e ficou como dantes. 7E o rei disse ao homem de Deus: Vem comigo à minha casa e conforta-te; e dar-te-ei um presente. 8Porém o homem de Deus disse ao rei: Ainda que me desses metade da tua casa, não iria contigo, nem comeria pão, nem beberia água neste lugar. 9Porque assim me ordenou o SENHOR pela sua palavra, dizendo: Não comerás pão, nem beberás água e não voltarás pelo caminho por onde foste. 10E foi-se por outro caminho por onde viera a Betel.

11E morava em Betel um profeta velho; e vieram seus filhos e contaram-lhe tudo o que o homem de Deus fizera aquele dia em Betel e as palavras que dissera ao rei. 12E disse-lhes seu pai: Por que caminho se foi? E viram seus filhos o caminho  por onde fora o homem de Deus que viera de Judá. 13Então, disse a seus filhos: Albardai-me um jumento. E albardaram-lhe o jumento, e o montou. 14E foi-se após o homem de Deus, e o achou assentado debaixo de um carvalho, e disse-lhe: És tu o homem de Deus que veio de Judá? E ele disse: Eu sou. 15Então, lhe disse: Vem comigo à minha casa e come pão. 16Porém ele disse: Não posso voltar contigo, nem entrarei contigo; nem tampouco comerei pão, nem beberei contigo água neste lugar. 17Porque me foi mandado pela palavra do SENHOR: Ali, nem comerás pão, nem beberás água, nem tornarás a ir pelo caminho por que foste. 18E ele lhe disse: Também eu sou profeta como tu, e um anjo me falou pela palavra do SENHOR, dizendo: Faze-o voltar contigo à tua casa, para que coma pão e beba água (porém mentiu-lhe). 19E voltou ele, e comeu pão e bebeu água.

20E sucedeu que, estando eles à mesa, a palavra do SENHOR veio ao profeta que o tinha feito voltar. 21E clamou ao homem de Deus que viera de Judá, dizendo: Assim diz o SENHOR: Visto que foste rebelde à boca do SENHOR e não guardaste o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te mandara; 22antes, voltaste, e comeste pão, e bebeste água no lugar de que te dissera: Não comerás pão, nem beberás água, o teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais.

23E sucedeu que, depois que comeu pão e depois que bebeu água,, albardou ele o jumento para o profeta que fizera voltar. 24Foi-se, pois, e um leão o encontrou no caminho e o matou; e o seu cadáver estava lançado no caminho, e o jumento estava parado junto a ele, e o leão estava junto ao cadáver. 25E eis que os homens passaram, eviram o corpo lançado no caminho, como também o leão que estava junto ao corpo, e vieram, e o disseram na cidade onde o profeta velho habitava. 26E, ouvido-o o profeta que o fizera voltar do caminho, disse: É o homem de Deus que foi rebelde à boca do SENHOR; por isso, o SENHOR o entregou ao leão, que o despedaçou e matou, segundo a palavra que o SENHOR lhe tinha dito. 27Então, disse a seus filhos: Albardai-me o jumento. Eles o albardaram. 28Então, foi e achou o seu cadáver lançado no caminho, e o jumento, e o leão, que estavam parados junto ao cadáver; leão não tinha devorado o corpo, nem tinha despedaçado o jumento. 29Então, o profeta levantou o cadáver do homem de Deus, e pô-lo em cima do jumento, e o tornou a levar; assim veio o profeta velho à cidade, para o chorar e enterrar. 30E colocou o seu cadáver no seu próprio sepulcro; e prantearam-no, dizendo: Ah! Irmão meu!

É claro que o que aconteceu com o homem de Deus não ocorre com frequência. Mesmo na Bíblia, temos poucos exemplos de um juízo divino imediato. Geralmente, o SENHOR dá tempo para que o infrator se arrependa dos seus atos de desobediência, pois Ele é tardio em se irar e grande em benignidade (Sl 103.8; 145.8; Jl 2.13). Exemplos como o de Nadabe e Abiú (Lv 10.1,2), do homem de Deus (1 Rs 13.1-30) e de Ananias e Safira (At 5.1-10) são raros. Mas, mesmo assim, devemos permanecer vigilantes, pois a justiça de Deus não falha e o Seu juízo um dia vem.

P.S.: A primeira imagem desta postagem mostra um homem em um Zoológico no Chile, em maio de 2016. Trata-se de Franco Luis Ferrada Román, 20 anos. O jovem tirou a roupa, entrou no recinto dos leões e passou a instigar os animais. Antes de realizar o ato insano, ele escreveu uma carta onde se intitula profeta e diz que o Apocalipse havia chegado e que Deus iria protegê-lo. Dois animais foram abatidos a tiros por uma equipe do zoológico. O jovem foi socorrido em estado grave.
   

PASTOR HAFNER

         

sexta-feira, 21 de julho de 2017

EXISTE TOLERÂNCIA DE EXCESSO DE VELOCIDADE?


Por *Eduardo Cadore
É comum muitos condutores pensarem que existe uma margem de tolerância de velocidade em relação à sinalização de limite máximo. Muitos falam de 20% de tolerância ou de que se poderia transitar até 20 KM/h a mais sempre, sem problema.
Isso é um mito e não se encontra respaldo na Legislação sobre o tema. Existe, na verdade, uma margem de erro admitido dos aparelhos fiscalizadores ("Radares"), estipulados pelo INMETRO e reproduzidos pela Resolução do CONTRAN 396/11. Nela, estabeleceu-se o seguinte: Se a velocidade no trecho for de até 100 KM/h, a velocidade considerada para fins de fiscalização será de menos 7 KM/h; Se a velocidade no trecho for de mais de 100 KM/h, a velocidade considerada para fins de fiscalização será de menos 7% (por cento). Por exemplo: condutor transita em trecho com placa de 60 KM/h (velocidade máxima). É flagrado por equipamento ("Radar") a 68 KM/h. Essa é a Velocidade Constatada. Dela, será reduzido 7 KM/h, restando como Velocidade Considerada 61 KM/h. Logo, o condutor comete infração de trânsito, pois mesmo com o erro admitido do aparelho, ainda assim encontrou-se em excesso de velocidade. Perceba que não estamos falando em tolerância, apesar de na Notificação de Autuação que o condutor recebe ser exatamente essa a palavra usada equivocadamente, diga-se de passagem.
Tudo bem, mas e o tal 20%? Essa é uma confusão devido à infração do artigo 218, inciso I do CTB, que estabelece como infração Média (4 pontos) transitar em velocidade superior à máxima permitida para o local em até 20%. Não quer dizer que você não estará pagando multa (valor de R$85,13). Desde a vigência do novo Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97) essa é a norma de trânsito, só que antes de 2006, a multa, neste caso, era Grave (5 pontos, R$, 127, 69). Com a Lei 11.334/06, que alterou o CTB, passou-se a aplicar a mesma penalidade independentemente do tipo de via, ou seja, as regras são as mesmas em qualquer local.
Em resumo: não podemos exceder a velocidade estabelecida na via, tampouco para efetuar ultrapassagem (assunto que merece outro texto), e não há margem alguma de tolerância, apenas um desconto no próprio aparelho medidor e seria um erro você sair dirigindo tendo como base míseros 7 KM/h. A saída é respeitar os limites e dirigir sempre com atenção. Assim evita-se multa e, o mais importante, colisões.
*Eduardo Cadore é Especialista em Trânsito, Psicólogo e Instrutor de Trânsito.   

LEONARD COHEN — AUTOR DA MÚSICA ALLELUJAH (ALELUIA)


Do site MORASHÁ

Leonard Cohen, compositor e poeta


Ele foi cantor, compositor e, sobretudo, um poeta cujas palavras eram destinadas a atrair a atenção dos Céus. Neto de um rabino, Leonard era um contador de histórias que conseguiu capturar em seus poemas e músicas a essência, a beleza e a dor que nos rodeiam.

Leonard Cohen foi um dos mais influentes artistas dos séculos 20 e 21. Autor da canção “Aleluia”, um dos maiores sucessos de todos os tempos, ele era um ícone do universo musical, um artista singular que não pertencia a uma época em particular. Começou sua trajetória artística como poeta, chegando aos 30 anos antes de decidir-se a entrar no mundo da música. Seu sucesso chegou lentamente, primeiro na Europa e em Israel e, posteriormente, nos Estados Unidos – e neste país quando já tinha completado 50 anos.
Era uma pessoa muito discreta, relutante em revelar aspectos de sua vida particular. Quando entrevistado, costumava dizer que as únicas respostas que realmente importavam eram as referentes às suas canções. Morreu aos 82 anos, em 7 de novembro do ano passado, em Los Angeles.
Vida familiar
Em 21 de setembro de 1934, com o nascimento de Leonard, Masha e Nathan Cohen tornaram-se pais pela segunda vez – já tinham uma menina. A família vivia então em Westmount, subúrbio afluente na ilha de Montreal, no sudoeste de Quebec, Canadá. Era uma florescente comunidade judaica. Seu avô materno era o Rabi Solomon Klinitsky-Klein, conceituado erudito e autor de várias obras. Tanto o rabino Solomon como Lazarus Cohen, bisavô paterno de Leonard, nasceram na Lituânia, onde eram considerados promissores estudiosos talmúdicos.
Pobreza e pogroms levaram os dois a deixar sua terra natal, estabelecendo-se inicialmente na Inglaterra e, em seguida, no Canadá. Enquanto Rabi Klinitsky-Klein continuou trilhar o caminho espiritual, Lazarus Cohen decidiu buscar o mundo dos negócios. Trabalhou primeiro em um depósito de madeira e lutou muito até conseguir se tornar um dos mais importantes empresários de Montreal. Seu filho, Lyon, avô de Leonard, fez crescer ainda mais a fortuna da família ao fundar uma empresa extremamente bem sucedida no ramo de vestuário.
Os Cohens eram amigos da família Klinitsky-Klein desde a Lituânia, e Lyon ficou feliz quando Masha, filha de Rabi Salomon, casou-se com seu filho Nathan. Foi assim que Leonard cresceu em um ambiente de fartura e judaísmo. O judaísmo sempre foi muito presente em sua vida. Lazarus Cohen, seu bisavô paterno, era um homem religioso e sionista. Ajudou a construir a mais importante sinagoga de Montreal, Shaar Hashamayim, ou Portão do Paraíso.O jovem Leonard ia à sinagoga todo sábado de manhã.
A família Cohen era sionista e acreditava que os judeus poderiam um dia voltar ao seu Lar. Quatro anos antes do 1º Congresso Sionista, realizado na Basileia em 1897, Lazarus já tinha ido a Eretz Israel onde adquiriu terras. Lyon, o avó de Leonard, herdou de seu pai o amor por nosso povo e nossa Terra. Na porta de sua casa, havia uma grande Estrela de David esculpida e, em 1919, ele se tornou membro fundador e primeiro presidente do Congresso Judaico do Canadá, que congregava as organizações judaicas do país.
Leonard perdeu seu pai ainda muito jovem, em janeiro de 1944. Lutando na 1ª Guerra Mundial como tenente da 4ª Companhia de Campo de Engenheiros Canadenses, Nathan foi ferido gravemente. Após a morte do pai, seus tios o convidaram para trabalhar na empresa da família. Mas, após um verão inteiro na fábrica, pendurando casacos nas araras, teve a certeza de que, embora houvesse um lugar para ele no mundo dos Cohen, aquilo não era para ele. Ele sabia que o intuito de seus tios era “salvar o pobre coitado do filho do irmão”. Além disso, a indústria têxtil tinha poucos atrativos para um jovem que estava descobrindo os poetas e os profetas judeus...
Vários anos após a morte do pai, seu avô, Rabi Solomon, viveu um ano em sua casa, revelando-lhe uma visão mais espiritual do judaísmo. O avô costumava ler e reler para Leonard passagens do Profeta Isaías e de outros profetas do Tanach. Lia para ele versos como: “O Senhor castigará a Terra: com o castigo de Sua boca e a respiração de Seus lábios Ele destruirá os malvados”. Com sua linguagem de punição e justiça, de condenação e salvação, as palavras dos Profetas do Tanach apontavam para um judaísmo totalmente diferente da que Leonard ouvia na sinagoga. Era uma visão espiritual que fascinou o jovem.
Crescendo sem uma figura paterna para guiá-lo, Leonard foi obrigado a traçar sozinho os seus caminhos. Enquanto frequentava o Ensino Médio, interessou-se por garotas, estudou oratória e concorreu à liderança estudantil; fez esportes e foi monitor em colônias de férias; aprendeu a tocar razoavelmente vários instrumentos, inclusive a guitarra, e formou um banda chamada Buckskin Boys.
Não era muito próximo de sua irmã, e sua mãe se casara novamente, porém logo se divorciou. Leonard considerava a mãe uma mulher amorosa, mas impulsiva e emotiva.  E, quando estava em casa, ele passava a maior parte do tempo no seu quarto, lendo, escondendo-se de todos. Desenvolveu o hábito de fazer longas caminhadas que o levavam às mais diferentes partes da cidade. Como suas notas eram boas, mantendo as aparências podia fazer o que quisesse.

Amor à poesia

Leonard Cohen começou sua vida artística como poeta. Herdara do avô materno a percepção de que as mais elevadas formas de literatura falam de justiça e almejam à transcendência.
Em 1951, com apenas 17 anos, foi aceito na Universidade McGill, de Montreal, tornando-se o talento literário da instituição. Enquanto cursava, escreveu uma coletânea de poemas, “Let Us Compare Mythologies”, publicados em 1956.
Após se formar, fez um semestre de Direito, além de trabalhar nas empresas da família durante alguns meses. Insatisfeito, mudou-se para Nova York, alugando um apartamento em Riverside Drive e matriculando-se na Universidade de Columbia, onde estudou inglês. Enquanto isso, escrevia. Mas nada disso o satisfazia. Nem a rotina do trabalho nem tampouco o curso de graduação conseguiram diminuir seu desejo, sua percepção de que havia uma maneira melhor de viver e de ser que ele ainda não descobrira.
Já tinha publicado duas coletâneas e a crítica o chamara de “O melhor poeta de sua geração”. Podia ser visto fazendo leituras de seus poemas, à noite, sentado em uma banqueta, com pouca iluminação, apenas um foco sobre si. Tímido, ele tinha receio de palco. Quando tinha que se apresentar publicamente, seu sorriso era nervoso, apertava seu livro de poemas contra o estômago, evitando fixar seu olhar. Mas assim que começava a falar, seu ritmo era perfeito, e o público era embalado por suas palavras.
Em 1964, aos 30 anos, deixou os Estados Unidos e passou a viver na ilha grega de Hydra, em uma casa branca no alto de um penhasco. Dali via o mar Egeu. Passava horas, diariamente, escrevendo. Inicialmente escrevia sobre redenção, um tema judaico amplo o suficiente para o trabalho de uma vida.
Depois vieram trabalhos mais ousados, trabalhos que deixaram os críticos boquiabertos e afastaram muitos fãs. Em 1964, quando sua coletânea de poemas sobre Hitler e sobre crueldade foi finalmente publicada, sob o provocativo título de “Flowers for Hitler”, ele prefaciou a obra com a seguinte citação: “Se de dentro do campo de concentração Primo Levi, um sobrevivente, escrevesse uma mensagem que pudesse ser levada aos homens livres, teria sido esta: ‘Tomem cuidado para não sofrer em suas próprias casas o que nos é infligido aqui’”.
Cohen acreditava que a capacidade de fazer o mal estava dormente em todos nós, e se quiséssemos expurgá-la, antes de mais nada era preciso aprender a falar sobre ela.
De poeta a cantor
Aos 32 anos, Leonard decidiu tornar-se cantor. Era o ano de 1966 quando deixou a ilha de Hydra e se mudou para Nova York. Tinha planos audaciosos em relação à sua carreira e queria reinventar-se como autor de canções. Sentia que, finalmente, havia encontrado a expressão artística que lhe permitiria transmitir e disseminar suas ideias. 
Há quem diga que essa sua decisão pode ter sido influenciada, em parte, por motivos financeiros, mas certamente nunca foi a única razão, sequer a principal. O lado espiritual da música atraía Leonard, ele sabia da importância da música para o espírito humano. O Livro dos Salmos, que o fascinava – instruía os que o estudavam: “Cante ao Senhor com graças; cante cânticos de louvor com a harpa para o Senhor, nosso D’us”. Cohen, que estudara os  Cinco Livros de Moshé, sabia ainda da importância da música na época do Grande Templo de Jerusalém. Quando ofereciam os sacrifícios, os Cohanim eram acompanhados por música e cânticos dos Leviim.
Quando passou a compor música o resultado foi sublime. Eram músicas produzidas lentamente e com grande esforço, Cohen levava  meses escrevendo cada uma delas. Escrevia dezenas de versos para cada uma e, então, lentamente, ia ajustando-os até alcançar sua essência. Isso levava às vezes anos. Ao cunhar seus versos, ele os transformava de confissões pessoais em invocações universais. Numa entrevista que deu anos mais tarde, revelou que tudo o que já tinha escrito, fossem seus poemas, canções, todos era, na verdade, “um grande diário, regulado pela música de violão”.
Ao se mudar para Nova York, em 1966, conheceu um jovem músico, 10 anos mais novo do que ele, Bob Dylan, sentindo-se logo imensamente atraído por suas músicas.
Em 1966, o rock n’ roll mudara. Compositores como Dylan se preocupavam com a poesia das letras e a mensagem a ser transmitida. Ainda que isso combinasse bem com a música de um poeta interessado na redenção e na espiritualidade, o universo do rock n’ roll não recebeu Leonard de braços abertos. O início de sua carreira foi difícil. Ia de agente em agente, sendo repetidamente rejeitado. Diziam-lhe que era muito velho e suas canções melancólicas. Tampouco agia como alguém que tinha como prioridade impressionar Nova York. No fundo, ele ainda era o jovem que lia os Salmos, o Profeta Isaías e que escrevera, em uma de suas músicas, que “... esqueceram-se de rezar aos anjos e os anjos se esqueceram de rezar por nós...”.
Finalmente, através de um amigo, foi apresentado à canadense Mary Martin, que o apresentou a John Hammond, o homem que descobrira, além de Dylan, vozes como Billie Holiday e Aretha Franklin. Martin telefonou a Hammond e lhe disse: “Há um poeta canadense que acho que vai-lhe interessar. Ele toca bem a guitarra e é um compositor maravilhoso, mas não lê música e é estranho...”.
O empresário recorda que percebeu imediatamente o potencial de Leonard. “Ele era encantador.... não se parecia a nada que eu já tivesse ouvido. Eu sempre quis ser o agente de alguém verdadeiramente original, se eu pudesse encontrar um, pois não há muitos no mundo. E o jovem sentado à minha frente ditava suas próprias regras, e era realmente um poeta extraordinário”.
Hammond lembra ainda que quando Cohen terminou de tocar ele lhe disse: “Você tem o que é preciso”. Cohen ficou sem saber se ele se referia ao talento Divino ou a uma recompensa mais terrena de um contrato de gravação com a poderosa Columbia. Hammond provavelmente quis dizer ambos, e, em agosto de 1967, Cohen entrava no estúdio para gravar seu primeiro álbum.
Em novembro daquele ano de 1967, duas de suas primeiras composições foram gravadas por Judy Collins em seu álbum “In My Life” – “Dress Rehearsal Rag”, e “Suzanne,” um de seus primeiros poemas, então musicado. No mesmo disco, a cantora interpretou músicas de Dylan e dos Beatles. O álbum ganhou o Disco de Ouro e Cohen pôde, a partir de então, considerar-se “um compositor”.
Com todo o seu talento, no entanto, Leonard ainda ficava aterrorizado diante de um palco. Apresentar-se ao vivo, diante de uma multidão, era extremamente difícil para ele. Caminhava hesitante em direção ao palco, com a guitarra escondida e suas pernas tremendo. Mas, assim que começava a cantar encantava o público.
Sua relação com Israel
Em 19 de abril de 1972, ele aterrissou no Aeroporto Ben-Gurion, em Israel, para realizar um concerto em Tel Aviv e dois em Jerusalém. Ficou extasiado ao ver Jerusalém, a Cidade de David. Em uma entrevista, um dos repórteres lhe perguntou se ele era “um judeu praticante”, ao que respondeu: “Estou sempre ‘praticando’. Às vezes sinto temor a D’us. Sinto, mesmo, esse temor, às vezes”.
Leonard sabia que era famoso, em Israel. Durante os shows que deu nesse país percebeu o quanto a multidão o amava – e o quanto ele amava aquele público. Durante um de seus shows, já no camarim, Leonard ouviu a agitação no auditório com o público pedindo sua presença no palco. Milhares de pessoas passaram a aplaudir e cantar “Hevenu Shalom Aleichem,” popular música de uma única estrofe, que significa “Trouxemos a paz para você”. E ao ouvir essa música, decidiu entrar palco. O público passou a cantar mais alto ainda e aplaudir mais forte, com mais entusiasmo do que Leonard ou seus músicos jamais tinham ouvido em qualquer apresentação. Com lágrimas nos olhos, Leonard pegou o microfone e disse: “Ei, pessoal, minha banda e eu estamos todos chorando. Estamos muito emocionados e não podemos continuar. Quero apenas dizer-lhes muito obrigado e boa noite!”. “Que público!”, disse, para ninguém em especial ao deixar o palco”.
A Guerra de Yom Kipur
A Guerra de Yom Kipur eclodiu em 6 de outubro de 1973. Leonard estava em Hydra e assim que soube do ataque a Israel partiu para Atenas e, de lá, pegou um avião para Tel Aviv.  Acidentalmente encontrou em um café um homem chamado Levi que o reconheceu. Para Levi, foi um sonho, pouco provável ver  Leonard sentado sozinho naquele café. O artista lhe disse que não podia ficar longe de lá e tinha vindo assim que soubera do ataque contra Israel. Não sabia por que, nem o que faria ao chegar. Mas tinha que vir.
Levi lhe respondeu que sua mera presença, em meio à guerra, faria milagres para o moral dos soldados, e que ele o levaria até eles nas bases militares e até nas várias frentes de batalha. A primeira parada foi numa base, onde foi improvisado um palco. Quando Levi apresentou-se e então anunciou o convidado especial, Leonard Cohen, inicialmente ninguém aplaudiu, pois ninguém acreditou que fosse verdade. O silêncio se manteve quando Leonard entrou, mas foi subitamente rompido pelos aplausos de soldados exaustos. Aquele momento o transformou. Assim que o show acabou, pegou sua guitarra e escreveu uma nova canção: “Lover, Lover, Lover.” No segundo show daquele dia, ele apresentou ao público a sua nova música. E os versos diziam: “E que o espírito desta canção, que possa alçar-se puro e livre, que possa ser um escudo para vocês. Um escudo contra o inimigo”...
Leonard estava incansável e manteve um ritmo intenso de apresentações, até umas oito por dia, durante quase três meses. Em alguns locais, cantou de pé, com um soldado segurando uma lanterna para permitir que vissem seu rosto. Frequentemente ele e Levi simplesmente dirigiam ao longo das frentes de batalha, parando onde avistassem um grupo de soldados e surpreendendo-os com algumas canções. Em uma apresentação para uma unidade de paraquedistas, no Deserto do Sinai, poucas horas antes deles partirem para a batalha, Leonard pediu aos homens que se aproximassem e começou a cantar os primeiros versos de “Até logo, Marianne”. A canção, disse Cohen, fora feita para ser ouvida em casa, com uma bebida em uma das mãos e com a outra abraçando a mulher amada.
A guerra deu um novo insight ao artista. Afastado da fama e de expectativas, ele vivenciou no deserto novas ideias sobre a vida em um mundo estilhaçado. No deserto, ele começou a trabalhar em seu próximo álbum, que não lembraria em nada suas criações anteriores.
O disco, lançado em 1974, foi bem recebido pela crítica, que ressaltou em suas resenhas as mudanças nas criações de Cohen. Mas, novamente, era um homem que não estava em sincronia com o seu tempo. No universo artístico que então se desenvolvia, não havia muito espaço para com cantor e compositor com obsessões transcendentais.
Vida pessoal
Em 1969 Leonard conheceu Suzanne Elrod. O casal teve dois filhos, Adam e Lorca. Quando sua filha nasceu, em 1974, sua relação com Suzanne já estava bem estremecida. Em 1978, pouco tempo após a morte de Masha, mãe do artista, o casal se separou. Suzanne se mudou com os filhos, então com sete e quatro anos, para a cidade francesa de Avignon.
Arrasado longe dos filhos, o artista ficava viajando entre a França, Nova York e Los Angeles. O jovem que, décadas antes, tinha declarado que a solidão era o único caminho para o Divino, era agora um homem que tinha vivido o suficiente para saber que estava certo.
Cohen tinha então 44 aos,  com alguns álbuns recebidos  pelo público com certo entusiasmo e, como confessara, “quase nenhuma vida pessoal”. A única coisa que  ele podia fazer era escrever letras, fazer arranjos e gravar. O fruto de seus esforços apareceu no  ano seguinte, na segunda metade  de 1979, e chamava-se “Recent Songs”.
Leonard envolveu-se com a seita japonesa Rinzai Buddhism. O compositor sempre afirmou que nunca abandonou o judaísmo, o que era frequentemente dito. Quando sua relação com o monge budista Roshi tornou-se pública,  ficou muito aborrecido. Leonard manifestou sua revolta em uma carta ao jornal Hollywood Reporter, em 1993. “Meu pai e minha mãe, de abençoada memória, teriam ficado muito perturbados com o fato de eu ser identificado como budista pelos jornalistas. Eu sou judeu. Mas é verdade que tenho estado bem curioso, já há algum tempo, com os murmúrios indecifráveis de um velho monge zen. Há pouco tempo, ele me disse: ‘Cohen, eu o conheço há 25 anos e nunca tentei dar-lhe minha religião”.
“Hallelujah”
Em 1984, Cohen estava afastado dos refletores. Ele era uma espécie de anomalia para o público dos Estados Unidos. Naquele mesmo ano, Walter Yetnikoff, da Columbia Records, convocou-o para uma reunião e, olhando para ele, disse: “Olhe, Leonard, sabemos que você é um dos grandes, mas não sabemos se você ainda é bom”.
Ele então apresentou seu novo álbum com a canção “Hallelujah”. Os diretores da Columbia Recordsnão acharam a canção “grande coisa”, sequer queriam lançar o álbum, que acabou saindo naquele ano na Europa e, somente no ano seguinte, nos Estados Unidos. Mas, foram poucos anos para que “Hallelujah” se tornasse um clássico.
A música é a mais famosa das composições de Leonard Cohen, apesar de que muitas pessoas sequer imaginem que tenha sido ele quem a escreveu. Um dos primeiros a perceber a beleza da música foi Bob Dylan, que a tocou em vários shows, em 1988. A música foi regravada mais de 300 vezes e tem sido interpretada por inúmeros artistas, de Bon Jovi a Bono. Há, inclusive, uma versão gravada em hebraico por soldados da IDF.
A palavra hebraica halleluyah  é um termo composto por hallelu, que significa “louvar com júbilo” e “yah”, forma abreviada do indizível Nome de D’us. Portanto, “halleluyah” é uma instrução de cantar um louvor ao Eterno. Cada verso da música termina com a palavra que deu seu título à canção, então repetida quatro vezes, dando-lhe sua inconfundível marca encantatória.
Ao ouvir a letra da música, tem-se a impressão de que se trata de uma canção de influência bíblica. O primeiro verso se refere ao Rei David, à sua música espiritual e seu relacionamento com D’us, e ao amor do Rei por BathshebaDiz o verso: “Ouvi dizer que havia um acorde musical secreto que David tocava e que agradava ao Senhor...  / Sua fé era forte, mas você precisava de provas / Você a viu banhar-se no terraço. Sua beleza  e o luar o derrubaram”... Hallelujah. Em seguida a canção faz referência, à queda de Sansão por causa de Dalilah: “Ela cortou seus cabelos e de seus lábios ela tirou Hallelujah...”.
Mas, a música se torna uma confissão pessoal e Cohen termina a canção falando com D’us, admitindo a derrota e sua devoção: “Fiz o melhor que pude e era pouco… E, mesmo assim, tudo deu errado. Postar-me-ei diante do Rei da música / Com nada em minha língua, a não ser Hallelujah...”
No decorrer dos anos, em inúmeras entrevistas, perguntaram a Leonard Cohen por que tinha escrito essa música e qual a sua mensagem. Numa entrevista em 1985, ele revelou: “É um desejo de afirmar minha fé na vida... Eu acredito que ao dizer: ‘Hallelujah’ – quando você a declara diante de todo tipo de acontecimento e mesmo de catástrofe que estamos vendo em toda parte – invocamos algum tipo de energia benéfica”. Como escreveu a revista Rolling Stones, em dezembro de 2012, “a música é a mensagem de Cohen de esperança e perseverança diante das adversidades da vida. Leonard Cohen nos diz para não nos rendermos ao desespero ou ao niilismo.”
O reconhecimento
Demorou para que a música de Leonard Cohen obtivesse a admiração universal. Para muitos artistas, ele foi o maior letrista de canções de todos os tempos, e seus fãs acreditavam que ele deveria ter recebido o Prêmio Nobel de Literatura.
No início da década de 1990, ele parecia realizado. Em 1991 foi indicado ao Canadiam Musical Hall da Fama, uma honraria que havia recusado quando mais jovem por não achar que merecia. Não parecia mais estar em conflito, como décadas antes, por receber a mais importante láurea do país, e aceitou a premiação com um sorriso. Em 2008 entrou para o Rock and Roll Hall of Fame dos Estados Unidos e dois anos depois, recebeu um Grammy por sua trajetória musical. Entre outros era membro da Ordem do Canadá e da Ordem Nacional de Quebec e, em 2011, recebeu o Prêmio Príncipe de Astúrias das Letras.
“Old Ideas,” seu 12º álbum, foi lançado em 2012, aos 77 anos. Foi o primeiro a entrar na lista dos dez mais da Billboard. Em 2014, na semana de seu 80º aniversário, Cohen lançou seu 13º álbum gravado em estúdio, denominado “Popular Problems.
Em outubro de 2016, lançou “You Want it Darker”, produzido por seu filho Adam, também cantor e compositor. Um trabalho introspectivo, focado em temas como a mortalidade. Em entrevista recente para a revista The New Yorker, Leonard revelou que estava pronto para a morte.
Leonard Cohen morreu dormindo, em Los Angeles, em 7 de novembro de 2016. Seu filho contou que ele continuou escrevendo até seus últimos momentos.
Antes de sua morte, o compositor exigiu que fosse enterrado de acordo com o ritual judaico ortodoxo, ao lado de seus pais, avós e bisavós. Leonard Cohen foi enterrado em Montreal, horas antes de sua  morte se tornar pública, no cemitério Shaar Hashomayim.

BIBLIOGRAFIA
 
Leibovitz, Liel, A Broken Hallelujah:  Rock and Roll, Redemption, and the  Life of Leonard Cohen, e- eBook Kindle
Cohen, Leonard, Burger, Jeff, Leonard Cohen on Leonard,eBook Kindle
Simmons,Sylvie,I’m Your Man:  The Life of Leonard Cohen, eBook Kindle

CLIQUE AQUI para ler na fonte (site Morashá). 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

POR QUE EU NÃO DEVO COMETER SUICÍDIO?




Pergunta: "Por que eu não devo cometer suicídio?"

Resposta: O meu coração compreende aqueles que têm pensamentos de terminar com suas próprias vidas através do suicídio. Se isto ocorre com você agora, deve haver muitas emoções, como sentimentos de desesperança e desespero. Você pode ter a sensação de estar no mais fundo dos poços, e duvida que haja algum raio de esperança de que as coisas possam melhorar. Ninguém parece se importar ou entender o que está acontecendo. A vida simplesmente não vale a pena ser vivida... ou será que vale?

Muitos, uma hora ou outra, experimentam emoções debilitantes. As perguntas que vinham à minha mente quando eu estava em um poço emocional eram: “De alguma forma, há a chance de isso ser da vontade de Deus, que me criou?” “Será que Deus é pequeno demais para poder me ajudar?” “ Será que meus problemas são grandes demais para Ele?” 

Fico feliz em dizer que se você deixar que Deus verdadeiramente seja Deus em sua vida agora, Ele provará o quão grande realmente é! “Porque para Deus nada é impossível” (Lucas 1:37). Talvez cicatrizes de sofrimentos passados tenham causado um ameaçador senso de rejeição ou abandono. Isto pode levar à auto-piedade, raiva, amargura, pensamentos ou caminhos de vingança, medos doentios, etc., que vêm causando problemas em alguns de seus mais importantes relacionamentos. Entretanto, o suicídio apenas serviria para trazer devastação aos que você ama e nunca teve a intenção de ferir. Essa devastação causaria feridas emocionais com as quais teriam de lidar pelo resto de suas vidas.

Por que você não deve cometer suicídio? Amigo, não importa quão más as coisas possam estar em sua vida, há um Deus de amor que está esperando que você o deixe guiá-lo através de seu túnel de desespero, e saindo dele, indo em direção a Sua maravilhosa luz. Ele é sua esperança certa. Seu nome é Jesus.

Este Jesus, o Filho de Deus, sem pecado, se identifica com você nos seus momentos de rejeição e humilhação. De Jesus escreveu o profeta Isaías: “Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos. Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras (chicotadas) fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Isaías 53:2-6). 

Amigo, tudo isto Jesus Cristo suportou para que você pudesse ter todos os seus pecados perdoados! Qualquer que seja o peso de culpa que você vem carregando, saiba que Ele perdoará se você humildemente se arrepender (se voltar para Deus, abandonando seus pecados). “E invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Salmos 50:15). Nada do que você possa algum dia ter feito é tão ruim que Jesus não perdoe. Alguns de Seus servos mais seletos da Bíblia cometeram pecados horrendos, como assassinato (Moisés), adultério (Rei Davi), e abuso físico e emocional (o apóstolo Paulo). Ainda assim, encontraram perdão e uma vida nova e abundante no Senhor. “Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado” (Salmos 51:2). “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Coríntios 5:17).

Por que você não deve cometer suicídio? Amigo, Deus está pronto para consertar o que está “quebrado”... especificamente, a vida que você tem agora, à qual você quer dar um fim através do suicídio. O profeta Isaías escreveu: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos (...) a consolar todos os tristes; a ordenar acerca dos tristes (...) que se lhes dê glória (coroa de beleza) em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do Senhor, para que ele seja glorificado” (Isaías 61:1-3).

Venha a Jesus, e deixe que Ele restaure sua alegria e valor enquanto confia nele para começar uma nova obra em sua vida. “Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário. Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca entoará o teu louvor. Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos. Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Salmos 51:12, 15-17).

Você quer aceitar o Senhor como seu Salvador e Pastor? Ele guiará seus pensamentos e passos, um dia de cada vez, através de Sua Palavra, a Bíblia. “Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos” (Salmos 32:8). “E haverá estabilidade nos teus tempos, abundância de salvação, sabedoria e conhecimento; e o temor do Senhor será o seu tesouro” (Isaías 33:6). Mesmo estando em Cristo, lutas existirão, mas você, agora, terá ESPERANÇA. Ele é “um Amigo mais chegado que um irmão” (Provérbios 18:24). Que a graça do Senhor Jesus esteja com você em sua hora de decisão.

Se você deseja confiar em Jesus Cristo como seu Salvador, diga estas palavras a Deus, em seu coração. “Deus, eu preciso de Ti em minha vida. Por favor, perdoa-me por tudo o que eu fiz. Eu coloco minha fé em Jesus Cristo e creio que Ele é meu Salvador. Por favor, limpa-me, cura-me, e restaura minha alegria de viver. Agradeço por Seu amor por mim e pela morte de Jesus em meu lugar.”

Você tomou uma decisão por Cristo por causa do que você leu aqui? Se sim, por favor clique no botão "Aceitei Cristo Hoje" abaixo.



POR QUE DEUS PERMITE O MAL?




Pergunta: "Por que Deus permite o mal?"

Resposta: A Bíblia descreve Deus como sendo santo (Isaías 6:3), justo (Salmo 7:11), reto (Deuteronômio 32:4) e soberano (Daniel 4:17-25). Esses atributos nos dizem o seguinte sobre Deus: (1) Deus é capaz de prevenir o mal, e (2) Deus deseja eliminar o mal do universo. Assim, se ambos são verdadeiros, por que Deus permite o mal? Se Deus tem o poder de prevenir o mal, e deseja fazê-lo, por que não o faz? Talvez uma boa maneira de encarar esse dilema seria considerar algumas situações alternativas de como as pessoas gostariam que Deus dirigisse o mundo:

1) Deus poderia mudar a personalidade de todas as pessoas para que não pudessem pecar. Isto também significaria que não teríamos o livre arbítrio. Não seríamos capazes de escolher entre o certo e o errado porque seríamos "programados" para apenas agir corretamente. Se Deus tivesse escolhido fazer isso, não haveria relações significativas entre Ele e a Sua criação.

Em vez disso, Deus fez Adão e Eva inocentes mas com a capacidade de escolher o bem ou o mal. Sendo assim, eles poderiam responder ao Seu amor e confiar nEle ou escolher a sua própria vontade. De fato, escolheram satisfazer a sua própria vontade. Porque vivemos em um mundo real onde podemos escolher as nossas ações mas não as suas consequências, o seu pecado afetou aqueles que vieram depois deles (nós). Da mesma forma, as nossas escolhas de pecar têm um impacto sobre nós e sobre aqueles que nos rodeiam.

2) Como uma outra opção, Deus compensaria pelas ações perversas através de uma intervenção sobrenatural 100% do tempo. Por exemplo, se um motorista embriagado provocasse um acidente automobilístico, Deus teria que proteger o motorista e as pessoas no outro carro de qualquer dano, pois haveria muitas pessoas que possivelmente sofreriam pelo acidente ou pela morte/ ferimentos dos envolvidos no acidente. Deus teria que proteger o motorista bêbado de bater nos postes de alta tensão, prédios, etc., porque essas coisas fariam com que pessoas inocentes sofressem.

Um outro exemplo pode envolver uma pessoa preguiçosa fazendo o encanamento de uma casa, e ele não se preocupa em verificar se há vazamentos antes da casa ser terminada. Deus teria que fazer que o encanamento não vazasse porque senão os compradores da casa teriam que sofrer por causa do pecado da pessoa preguiçosa.

Se um pai se viciasse em drogas e gastasse todo o seu dinheiro nesse vício, Deus de alguma forma teria tanto que milagrosamente proporcionar a comida quanto cuidar das necessidades sociais das crianças para que não tivessem que ser adversamente afetadas pelo mal do pai.

Em um mundo assim, Deus seria como um mau pai que permite um comportamento destrutivo de um filho desobediente. Não haveria consequências por suas ações e, como resultado, ninguém aprenderia integridade, pureza, honra, responsabilidade ou auto-controle. Não haveria "consequências boas" pelo comportamento correto, nem "consequências más" pelo comportamento errado. O que as pessoas se tornariam além de mais rebeldes e pecadoras?

3) Uma outra opção seria que Deus julgasse e removesse aqueles que escolhem cometer atos maus. O problema com esta possibilidade é que não sobraria mais ninguém, pois Deus teria que remover todos nós. Todos pecamos e cometemos atos maus (Romanos 3:23; Eclesiastes 7:20, 1 João 1:8). Embora algumas pessoas sejam mais perversas do que outras, onde Deus traçaria a linha? Em última análise, todas as perversidades causam danos a outras pessoas.

Em vez dessas ou outras opções, Deus escolheu criar um mundo "real" no qual as escolhas reais têm consequências reais. Neste nosso mundo real, as nossas ações afetam outras pessoas. Porque Adão escolheu pecar, o mundo hoje vive sob uma maldição e todos nascemos com uma natureza pecaminosa (Romanos 5:12). Haverá um dia quando Deus julgará o pecado no mundo e renovará todas as coisas, mas Ele está propositalmente "atrasando" a fim de permitir mais tempo para que as pessoas se arrependam e não precisem mais ser julgadas por Ele (2 Pedro 3:9). Até então, Ele SE PREOCUPA com o mal. Ao criar as leis do Antigo Testamento, Ele estabeleceu leis que desencorajassem e punissem o mal. Ele julgou as nações e os reis que desprezavam a justiça e buscavam o mal. Da mesma forma no Novo Testamento, Deus afirma que o governo tem a responsabilidade de prover a justiça a fim de proteger os inocentes do mal (Romanos 13). Ele promete também graves consequências aos que cometem atos malignos, especialmente contra os "inocentes" (Marcos 9:36-42).

Em resumo, vivemos em um mundo real onde as nossas boas e más ações têm consequências diretas e indiretas sobre nós e sobre os que nos rodeiam. Deus deseja a nossa obediência para o nosso bem, para que “bem lhes fosse a eles e a seus filhos para sempre” (Deuteronômio 5:29). Em vez disso, o que acontece é que escolhemos o nosso próprio caminho e então culpamos a Deus por não fazer nada sobre isso. Tal é o coração do homem pecador. Entretanto, Jesus veio para mudar os corações dos homens através do poder do Espírito Santo. Assim Jesus é capaz de agir a favor dos que se voltam contra o pecado e clamam a Ele para que os salve do pecado e das suas consequências (2 Coríntios 5:17). Deus previne e restringe alguns atos de maldade. Este mundo seria MUITO PIOR se o Senhor não estivesse restringindo o mal. Ao mesmo tempo, Deus nos deu a capacidade de escolher entre o bem e o mal, e quando escolhemos o mal, Ele permite que nós e os que nos rodeiam soframos as suas consequências. Ao invés de culpar e questionar a Deus sobre os Seus motivos para não impedir todo o mal, deveríamos nos ocupar com a proclamação da cura ao mal e suas consequências - Jesus Cristo!